afetos como catalisadores

a primeira vez que escrevi uma nota como essa foi quando abandonei o curso de direito e, ao recalcular a rota para selecionar as  ferramentas que julgava mais úteis para criar o que queria naquele momento, optei pela psicologia. num pano de fundo caótico cultural enquanto buscava freneticamente  por respostas através da filosofia, ciências e da arte, escrevi exatamente isso aqui : 


“acho incrível viver no espaço-tempo marcado pelo acelerado avanço das tecnologias, mas o ser humano é o objeto mais interessante de estudo aqui presente” 


isso foi em 2014 quando eu ainda “engatinhava” na minha jornada de compreensão e ampliação perceptiva da realidade. hoje, com muito mais maturidade, tanto pelas experiências quanto pela ajuda na interpretação delas através de grandes pensadores (vivos em corpo e daqueles vivos apenas através de ideias) e também de pessoas incríveis que encontrei pelo caminho, reforço e cravo esse ideal.


afinal, o amor à vida e todos os afetos propiciados por ela , como o ódio a tudo o que a ameaça,por exemplo, são alguns dos combustíveis catalisadores mais potentes necessários para a criação e evolução de tudo o que chamamos de civilização, ou seja,  disso tudo o que TRANSCENDE o ser humano. quanto mais avanço na vida, mais coaduno com essas ideias que também, de certa forma, já foram elaboradas por exímios autores (freud, nietzsche, fromm, spinoza... )


ao usar as tecnologias, agora mais do que nunca, entendo contundentemente que o mais importante e interessante do nosso mundo são as pessoas, sua humanidade  e a vida como um todo. afinal,  as técnicas foram, são e devem continuar sendo, como já refletiram Don Ihde e Hans Jonas sobre a fenomenologia das tecnologias: mediações e vias para que possamos ampliar nossa potência humana e o que existe de melhor nela…e, para mim, isso implica em conjunto, coibirmos e destruirmos tudo o que a ameaça,  desorienta, limita e destrói.